Catecismo da Igreja Católica

§ 2837

«De cada dia». Esta palavra «epioúsios» não é usada em mais lado nenhum no Novo Testamento. Tomada num sentido temporal, é uma repetição pedagógica do «hoje»110 para nos confirmar numa confiança «sem reservas». Tomada no sentido qualitativo, significa o necessário para a vida e, de um modo mais abrangente, todo o bem suficiente para a subsistência111. Tomada à letra (epioúsios, «sobre-substancial»), designa diretamente o Pão da Vida, o corpo de Cristo, «remédio de imortalidade»112, sem o qual não temos a vida em nós113. Enfim, ligado ao antecedente, é evidente o sentido celestial: «este dia» é o do Senhor, o do banquete do Reino, antecipado na Eucaristia que é já o antegozo do Reino que vem. É por isso conveniente que a liturgia Eucarística seja celebrada em «cada dia».
«A Eucaristia é o nosso pão de cada dia [...]. A virtude própria deste alimento é a de realizar a unidade a fim de que, reunidos no corpo de Cristo, tornados seus membros, sejamos o que recebemos. [...] E também são pão de cada dia as leituras que em cada dia ouvis na igreja; e os hinos que escutais e cantais, são pão de cada dia. Estes são os mantimentos necessários para a nossa peregrinação»114.

O Pai celeste exorta-nos a pedir, como filhos do céu, o Pão celeste115. Cristo «é Ele mesmo o Pão que, semeado na Virgem, levedado na carne, amassado na paixão, cozido no forno do sepulcro, guardado em reserva na Igreja, levado aos altares, fornece cada dia aos fiéis um alimento celeste»116.

Notas

  1. Cf. Ex 16, 19-21. ↩
  2. Cf. 1 Tm 6, 8. ↩
  3. Santo Inácio de Antioquia, Epistula ad Ephesios 20, 2: SC 10bis, 76 (Funk 1, 230). ↩
  4. Cf. Jo 6, 53-56. ↩
  5. Santo Agostinho, Sermão 57, 7, 7: PL 38, 389-390. ↩
  6. Cf. Jo 6, 51. ↩
  7. São Pedro Crisólogo, Sermão 67, 7: CCL 24A, 404-405 (PL52, 402). ↩

No índice analítico

No Catecismo de São Pio X

308. Por que acrescentamos: de cada dia? Acrescentamos de cada dia, porque devemos desejar o que nos é necessário para a vida, e não a fartura dos alimentos e dos bens da terra. Ler no Catecismo de São Pio X →